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segunda-feira, 3 de junho de 2024

Suzume no Tojimari

Fonte do wallpaper

As vezes as coisas me chamam. Não sei bem explicar o porquê.

Meses atrás vi nas sugestões do Youtube Music a capa de Suzume (RADWIMPS part. Toaka) e fui atraída imediatamente. Ouvi a música e me senti arrebatada. Era absolutamente tocante, reverberava com algo dentro de mim que eu não sabia nominar. 

Se tornou imediatamente uma das minhas músicas favoritas e passou a ser um refúgio. É, até agora, a música que uso para dormir quando preciso de ajuda pra acalmar a mente e também a escolhida das minhas filhas pra adormecer.

Hoje finalmente assisti o filme ao qual essa música pertence. 

Ele falou pra mim sobre luto. Sobre coragem e esperança. 
Sobre lembrar que "o inverno nunca falha em se tornar primavera", como Ikeda sensei sempre citava de Nichiren Daishonin. 

Que a noite de imensa dor que possamos estar atravessando (como a perda de um ente querido), por mais que pareça eterna e infinita, vai se tranformar em um dia luminoso outra vez. E vamos nos banhar e nos fortalecer nessa luz e afeto que está à nossa volta mas que também vem de dentro de nós.

Com essa obra eu sorri, me preocupei, chorei profundamente. Vi afetos se contruírem, coragem se descortinar, feridas abertas serem compreendidas e cuidadas. 

Nem preciso dizer que recomendo imensamente o filme, né? 


Suzume - Trailer oficial

 
Suzume - Trailer oficial 2

Assisti pelo Crunchyroll e deixo aqui a sinopse que eles compartilharam:

O mais novo filme de Makoto Shinkai, Suzume, estreia dia 13 de abril de 2023 nos cinemas brasileiros! 

🚪 Sinopse: "Do outro lado da porta, havia o tempo em toda sua existência...

A jornada da jovem Suzume de 17 anos começa na pacata cidade de Kyushu quando ela se encontra com um jovem que diz a ela o seguinte: “Estou procurando por uma porta”. O que Suzume encontra é uma única porta desgastada em pé no meio de ruínas, como se estivesse protegida de qualquer catástrofe. Aparentemente hipnotizada por seu poder, Suzume alcança a maçaneta… Portas começam a abrir por todo o Japão, causando destruição a qualquer um que esteja perto delas. Suzume precisa fechar esses portais para evitar que o desastre se alastre.
  
As estrelas, o pôr-do-sol, o céu da manhã...

Dentro daquele reino, é como se todo o tempo estivesse espalhado no céu... Cenários, encontros e despedidas nunca antes vistos... Uma infinidade de desafios aguardam Suzume em sua jornada. Apesar de todos os obstáculos em seu caminho, a aventura de Suzume lança um raio de esperança sobre nossas próprias lutas contra as estradas mais difíceis de ansiedade e constrangimentos que compõem a vida cotidiana. Esta história de portas fechadas que conectam nosso passado ao presente e futuro deixará uma impressão duradoura em todos os nossos corações

quarta-feira, 8 de março de 2023

One More Light [vocal cover] e Gravity [freestyle dance]



Música: One More Light
Artista: Linkin Park
Álbum: One More Light
Lançamento: 2017
Cover via Starmaker app

[Postagem que fiz no meu Instagram dia 01/03/2023]
Dia 28/2/23 completou um ano do falecimento da minha avó Maria e dia 18/3/23 vai fazer um ano do falecimento da minha mãe, Terezinha.
Eu queria vir aqui pra falar somente das coisas boas, do legado de empatia, resiliência e respeito que elas deixaram. Mas a real é que nas últimas semanas o que eu tenho tido disponível são uma saudade imensa e dolorosa, e um nó na garganta que vai e volta em meio a inúmeras lágrimas.
Então eu fiz o que eu tenho feito nesse último ano e usei alguma das modalidades artísticas que eu amo pra colocar pra fora um pouco disso tudo.
O canto, a dança e o desenho não são pra mim simplesmente diversão, são meio de sobrevivência. Por um lado eu gostaria de só me divertir também, mas eu sou muito grata pela chance de poder usar essas ferramentas de qualquer forma.
Mãe, vó, amo vocês ❤️
Nesses 365, não teve um dia em que eu não me lembrasse de vcs. Só torço pra que, com o tempo, a dor diminua mais e fique só o coração quentinho pelo amor que vcs trouxeram pra minha vida. Já tá menor que no começo, mas ainda tenho bastante processo pela frente.
[Fim da postagem]

~ ~ ~ ~ ~



Música: Gravity
Artista: Jongho (Ateez)
Álbum: Reborn Rich (Original Soundtrack)
Lançamento: 2023


Seguindo meu processo a esse respeito, no dia 02/03/23 eu decidi gravar uma dança freestyle usando a música Gravity porque ela mexe comigo de muitas formas. As duas únicas coisas que eu tinha certeza tecnicamente antes de começar era que eu gostaria de utilizar mais movimentos com as pernas e de fazer o movimento de "abrir de asas" no verso Deny your gravity. Pra mim, no momento, negar a gravidade é buscar liberdade pra ser eu mesma, pra ser inteira, com dores/belezas/processos e não linearidades.
Gravar freestyle foi uma sugestão do meu professor de dança e tem sido um processo de autoconhecimento também. Porque quando estou lá as coisas vem naturalmente e depois quando eu assisto é que descubro realmente o que fiz. 
Sinto um pouco de vergonha por reconhecer meu repertório de dança tão reduzido, pela baixa qualidade do vídeo, pelo espaço pequeno e um tanto inadequado em que eu tive que tomar cuidado pra não trombar no guarda-roupa nem na cama, mas esse momento foi muito importante pra mim independente de qualquer dessas coisas. 
Como falei na postagem do Insta, a música, a dança, tem sido ferramentas de sobrevivência no meu processo de existir e me reconstruir. Na minha busca de sentir a presença delas apesar da saudade, de me permitir ser inteira apesar das amarras do trauma e consequente modo de defesa.
Eu quase chorei enquanto dançava. Eu chorei bastante após terminar de dançar. Lágrimas que me lavaram por dentro do peso que eu estava sentindo naquele momento.

Consegui assistir a gravação do freestyle que fiz de Fever (Enhypen) sobre a qual falei na minha postagem de 24 de fevereiro de 2023, mas sigo não me sentindo em condições de compartilhar o vídeo. Escrever aquele texto também me lavou por dentro de uma forma que me fez sentir mais segura pra encarar aquele registro meu e a dançar diante da câmera de novo dias depois. Escrever também faz parte do meu processo de cura. Mesmo que ninguém leia, mesmo que ninguém saiba (apesar de esse blog ser de visualização pública), registrar o processo em palavras, voz e movimento já faz mágica acontecer.

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terça-feira, 22 de novembro de 2022

22/11/2022

Hoje eu fui atravessada por memórias  muito vívidas do último dia que passei com minha mãe e a saudade doeu bastante dessa vez.

Uma infinidade de coisas aconteceram neste ano após a passagem dela e, no último fim de semana, uma coisa que eu gostaria muito que ela presenciasse: após cerca de 12 anos longe, eu pisei num palco para dançar novamente. Foi um momento muito especial pra mim. Estar num estúdio de dança, o impulso de tornar os ensaios uma rotina diária pra conseguir fazer o meu melhor, o frio na barriga antes de subir ao palco, a euforia descendo as escadas pra sair dele com o corpo todo pulsando de alegria e diversão após dançar. Me senti voltando pra casa.

Ela foi uma das pessoas que sempre me incentivou nas artes em geral e sempre procurava assistir minhas apresentações, fossem de canto, dança, ou alguma exposição em que algum trabalho plástico meu estivesse fazendo parte. Ao longo da minha infância ela era uma pessoa bastante ocupada, mas sempre se esforçava pra ver as apresentações na escola. 

Enfim, eu gostaria que ela estivesse aqui pra ver pessoalmente. Mas eu sinto a presença dela em cada passo que eu dou em direção às minhas paixões, e ao mesmo tempo que a saudade dói, o coração fica quentinho por me sentir abraçada pelos incentivos que ela me ofereceu ao longo dos anos.

E desde que a memória me tomou hoje, fiquei ouvindo em looping a música Yet To Come do BTS, que fala sobre as coisas do passado terem sido ótimas mas que o melhor ainda está por vir. Da presença física dela, o melhor de fato ficou no passado, mas vou honrar a memória dela fazendo o meu melhor pra me respeitar e florescer, fazer com que minha melhor versão seja a que está por vir. Não com desespero pra bater meta sobre mim mesma, mas com a busca consistente de seguir aprendendo e crescendo nos caminhos que eu escolher seguir daqui pra frente.

Mãe, você ficaria orgulhosa. Obrigada por tanto, sempre.




"No one else

Can speak the words on your lips"


É um trecho da música Unwritten da Natasha Bedingfield que diz que ninguém mais pode falar as palavras em seus lábios. E o meu reencontro com minhas paixões tem justamente a ver com esse reconhecimento de que, posso não ser a melhor em nada, mas tenho a minha própria forma de colocar as coisas no mundo, uma maneira e um conjunto de experiências únicas que também são válidas de serem registradas.

Então quando o medo da falha vem, eu me lembro que as coisas que faço são uma necessidade de expressão que eu tenho, independente de mais alguém se identificar/gostar/aprovar, etc.

E nesse ano tão intenso eu tenho PRECISADO de todas as minhas ferramentas para lidar com todos os acontecimentos e emoções decorrentes deles.

Vou fechar com outra música que amo pra te incentivar também a abraçar seus desejos sinceros:


Irmão, você não percebeu

Que você é o único representante

Do seu sonho na face da terra

Se isso não fizer você correr, chapa

Eu não sei o que vai


Música "Levanta e Anda (part. Rael da Rima)" do fantástico Emicida.

Um silencioso abraço bem apertado pra você.

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domingo, 4 de setembro de 2022

Oceano


Aprendi a nomear o luto de oceano.


É vasto,

não tem prazo para acabar,

não é linear,

e funciona em ondas.


Chega arrebatador,

nos dá inúmeros caldos,

pensamos que seremos engolides por tamanha potência.


Nossas lágrimas se juntam 

e o aumentam.

_


O tempo vai passando e a onda se afasta um pouco.

Conseguimos respirar um instante mais.

_


As vezes chegam momentos 

em que quase esquecemos

que ele nos tomou 

e revirou tão profundamente.


Pra, em seguida,

Sermos arrebatades por uma nova onda.

Sem aviso,

cheia de uma nova versão da dor,

da saudade,

da consciência... de ausência.

_


Não é linear, eu disse.

Me toma, de novo,

de um novo jeito.

_


Vem, 

me inunda, 

me leva pra longe de onde

pensei estar chegando.


A água arrasta a areia sob os pés,

o breve equilíbrio se vai,

e eu titubeio.

Os passos incertos viram braçadas,

o ambiente se azula a minha volta.


Eu choro,

me sinto exausta.

NÃO QUERO MAIS SENTIR.

Mas não é possível fugir 

de dentro de si.

_


Passei meses sentindo

que mal conseguia manter 

a cabeça fora d'água 

pra sobreviver.


Hoje, 

precisamente hoje,

sinto que estou caminhando na praia

após o mais recente caldo.


Vou aproveitar esse instante calmo,

enxergar as ondas ao longe,

consciente que me levarão

novamente.

_


Não sei quando,

só sei que vão.


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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Reflexões sobre legado

Ontem, 05/05/2022 foi a Cerimônia de 49º dia de falecimento da minha mãe. E eu escrevi algumas palavras pra ocasião que eu quero deixar registradas aqui:


Vovó Maria e minha mãe, Terezinha.

Boa noite pessoal.

Eu pensei um bocado sobre o que eu falaria na cerimônia hoje, sobre o quê do legado da nossa mãe eu ia querer ressaltar e decidi falar sobre duas coisas que sempre foram muito fortes nela e que me marcam muito todos os dias: sua solidariedade e esperança nas pessoas.

Desde criança eu vi a mãe doando seu tempo, seu afeto, suas coisas para apoiar quem estivesse precisando. Aprendemos no Budismo Nichiren Daishonin que não se tem verdadeira felicidade sozinho. Que construímos a felicidade quando buscamos ela pra gente e pras pessoas a nossa volta. Eu vi minha mãe realizar isso ao longo de toda a vida dela de diversas formas. Ela não era perfeita, era uma pessoa com qualidades e defeitos, como eu e você, mas sempre buscou fazer o melhor que pudesse. E fico feliz em dizer que grande parte dos objetos dela como roupas, livros e materiais de artesanato foram doados e já estão sendo apoio para diversas pessoas, como ela sempre presou em fazer. Não é questão de agir para ser bonito, “pra ficar bem na fita”, é questão de se importar sinceramente com o bem-estar das pessoas e fazer algo que esteja ao nosso alcance no dia a dia. É se fazer abraço, ouvido atento ou outro tipo de apoio para alguém que esteja precisando, dentro do que seja possível e saudável pra gente no momento.

A outra coisa que eu quero falar é sobre a contínua esperança dela nas pessoas. Na sociedade, no futuro. Vivemos em um momento histórico bastante violento, com muitas demonstrações de falta de respeito e de humanidade por tantas instituições e pessoas. Mas ela nunca deixou de crer no potencial ao bem das pessoas em geral. E ela sempre procurou tratar a todos com respeito e cordialidade por causa disso. Eu aprendi com minha mãe e com o Budismo que se a gente quer que algo mude, precisamos iniciar em nós a mudança. Não importa que todo mundo a nossa volta esteja fazendo as coisas da maneira errada ou ilegal, nós vamos fazer o certo porque sabemos que é o certo – mesmo que mais ninguém faça. Isso pode ser solitário as vezes, mas é o estilo de vida que eu escolhi pra mim também porque eu sei que meu exemplo, como o dela, uma hora vai tocar alguém. E esse alguém vai passar a agir de maneira mais esperançosa e íntegra, tocando uma outra pessoa. E assim por diante. Você que está me ouvindo merece respeito e afeto. As outras pessoas também merecem respeito e afeto. A gente merece um mundo melhor pra nós, pras nossas crianças e pra todas as outras pessoas.

Nutrir esperança é um ato revolucionário, que pode ser difícil de gerenciar na nossa época, mas é uma escolha que pode nos levar a futuros mais felizes.    

Então eu venho te fazer um convite: o que você, hoje, com o que vc tem, pode fazer pra cuidar melhor de você e de alguém a sua volta? A gente merece ser feliz em meio as ondas que a vida nos traz, boas e ruins. Acolher e ser acolhida, chorar quando preciso, sorrir sempre que der. Vamo junto?

Um abraço apertado e quentinho em cada um de vocês e muito obrigada por estarem aqui hoje com a gente.

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Atualização em 09/05/2022
Relendo minha fala passou a me incomodar o trecho "nós vamos fazer o certo porque sabemos que é o certo – mesmo que mais ninguém faça." e quero editar um detalhe: 
nós vamos BUSCAR fazer o certo porque sabemos que é o certo - mesmo que mais ninguém faça
Como seres humanos estamos passíveis a erros, fazemos merda como todo mundo. Mas o desejo de fazer as coisas da melhor maneira possível está lá e é o foco. Relendo, a frase me pareceu bastante presunçosa e eu senti a necessidade de fazer esse ajuste.

segunda-feira, 4 de abril de 2022



Eu decidi que em 2022 retomaria minhas paixões e tenho feito isso, mesmo que devagar.
Faz tempo estava sentindo o desejo de colorir e em fevereiro de fato o fiz. Mesmo tendo que gritar dentro da minha cabeça pra silenciar as vozes de auto cobrança paralisantes. Fui lá e fiz o melhor que pude, com o que tinha. 
Sempre desenhei em grafite ou preto prioritariamente, mas queria muito cores e testei bastante.
É muito mais difícil escanear trabalhos coloridos que fiquem fiéis ao original, e o primeiro desenho ainda ficou significativamente diferente do que deveria, mas vou deixar assim mesmo.

No som e no movimento eu me Reencontro

O segundo trabalho comecei como uma forma de processar o luto pela minha avó e terminei como uma forma de processar o luto pela minha mãe. É meio desenho, meio poesia, meio cor. É muitas coisas, como meu interior tem sido.

A saudade vem e fica.
Lágrimas escorrem
enquanto a música toca
na memória.

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terça-feira, 29 de março de 2022

Terezinha Silva 16/09/1949 - 18/03/2022 ⭐ 72 anos

 Escrito em 19/03/2022


⭐ Terezinha Silva 16/09/1949 - 18/03/2022 ⭐ 72 anos


Eu nunca pensei que a próxima coisa que eu colocaria nas redes sociais seria isso, mas é.


Ontem as 7h da manhã minha mãe faleceu pegando a todos de surpresa.


E se vc foi uma das inúmeras pessoas que a generosidade e o acolhimento incrível dela tocou, eu quero que você saiba da partida dela.


Ela não tá mais aqui, cara, acredita? Tem hora que eu acredito, tem hora que não. Eu nem sei...


Essa foi a última foto que tiramos juntas presencialmente, 8 dias atrás.


E é esse sorriso iluminado, dessa mulher foda, apaixonada pela família, que eu quero marcar na minha mente.


Eu achei que 2021 tinha sido difícil, mas 2022 ainda tá em março e já foram dois golpes muito difíceis de levar. 


Te amo mãe. Obrigada por tanto, sempre. Eu prometo que vou viver uma vida feliz e realizada em homenagem a todo o seu esforço, dedicação e apoio. Prometo que minhas filhas vão saber o quanto a vovó Terezinha as amava.


Bom passeio na praia com a vovó, meu amor. Vocês são maravilhosas e merecem toda a felicidade do mundo.


Te amo.

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terça-feira, 1 de março de 2022

Maria Alves, 96 anos 💚


☆ 27/05/1925 - 28/02/2022  


Obrigada, vovó, por existir. Por resistir. Você sobreviveu por décadas em um relacionamento abusivo e de alguma forma conseguiu manter sua doçura e ser uma das maiores fontes de afeto e segurança de filhos e netos durante e depois disso.

Gratidão pela paixão aos livros, pelo aconchego nas férias, pelo sorriso sincero enquanto eu cantava lavando louça, pelas bolachas enroladinhas em minha homenagem (acompanhar o processo até sair a fornada, inesquecível). Muitas das melhores memórias da minha vida são da sua casa na roça, são de perto de você. A paciência pra responder minhas perguntas intermináveis, pra me contar os causos de tempos que não vivi mas queria muito conhecer.

Obrigada por amar tanto minhas filhas. Era maravilhoso ver seus olhos brilharem quando via elas em videochamada. Infelizmente você não pôde conhecer a Crystal pessoalmente por causa da pandemia, mas pelo menos pôde receber vários sorrisos dela e da Saphi pela telinha.

Prometo que vou seguir buscando, aprendendo e agindo, perpetuando seu exemplo de afeto e quebrando ciclos de violência pra que as próximas gerações não precisem atravessa-los da mesma forma que nós.

Obrigada por tanto, sempre, Vó Maria. Muito obrigada também por minha mãe.

Eu sou porquê vocês foram e são. Eu existo porquê vocês resistiram.

Com amor, Milinha.
(Esse é um apelido que por anos só ela usou pra se referir a mim).
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Estas fotos minha irmã Paty tirou semanas atrás quando esteve com ela. 💚

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Campo da Esperança

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Todo mundo vai embora.
E todos sabem disso.
Acho que estou começando a me acostumar com a idéia.

- 07.12.2010 -


Tchau vovó Luzia. Voe livre, e longe. 
Ganhe o universo, ele é todo seu e você é toda ele.

"Today I'm gonna fly, there's nothing that can
keep me on the ground, touch the sky,
I'm free inside!"

Te amo, Emília.

08.12.2010


Este pequeno texto em itálico foi uma cartinha que eu escrevi e foi enterrada junto a minha avó.
Não li durante o velório e decidi colocar caso alguém da família, principalmente, quisesse conhecer.

Ela foi velada no dia 08.12 e seu novo endereço é Quadra 302 - Bloco E - nº 312, Cemitério Campo da Esperança em Taguatinga-DF.

A parte em inglês é o trecho de uma música do Lacuna Coil que se chama I Like it
E, em tradução livre significa "Hoje eu vou voar / não há nada que consiga me manter no chão / tocar o céu / Eu estou livre por dentro!" Assim como minha vó agora está livre por dentro para voar aonde quiser.

Foi bem difícil vê-la no caixão. 
Não mais difícil do ver ele sendo fechado. Tive uma sensação de "precisar abandonar" muito forte nesse momento. E uma estranha sensação de conforto quando ela foi de fato  enterrada e a lápide foi posicionada, como se ela me dissesse "Acabou agora. Eu estou bem. O que você está vendo é só a minha lembrança. Vocês não precisam sofrer mais, devem seguir em frente".

Durante o velório, conversando com meu pai, eu descobri que, na verdade, ela morreu no dia 06 a tarde e não na madrugada do dia 07 como eu pensava. Apenas um problema de comunicação.
Mas sabe, ela se foi aos 79 anos. Viveu bastante, foi feliz, sofreu, e ajudou incondicionalmente muitas pessoas. Ela tinha defeitos e qualidades como qualquer pessoa, mas uma generoside que era ponto alto de sua figura e que sempre será lembrada. Eu quero me lembrar, sempre.

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Até mais.

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Tchau... Adeus... Até logo... Até mais... Não sei.

Por saudade exacerbada minha avó Luzia se acidentou, e por sofrer com o sentimento de falta de dignidade de não poder ir ao banheiro sozinha após as fraturas - entre outras causas, teve um ataque do coração. E se foi.

Eu não sei o que mais dizer agora.

Eu nunca sei.

Nós vamos sentir muito sua falta, viu?
Aonde quer que vc esteja neste momento, desejamos que você esteja bem, muito bem!

Apenas, nós vamos seguir te amando. E muito.

Até mais vovó.

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